O que aprendi com Marta e Maria

Os Evangelhos estão cheios de histórias sobre pessoas que conheciam Jesus. E fico maravilhada quando penso nas pessoas que tiveram a oportunidade de conhecerem seu próprio Salvador. Entre essas muitas histórias, escolhi para o texto de hoje um relato do final do Capítulo 10 do Evangelho de Lucas: o encontro de Jesus com as irmãs Marta e Maria.

 

Tudo começou quando Jesus chegou num povoado e ficou hospedado na casa das irmãs Marta e Maria. Como boas mulheres judias, elas seguiam a tradição da hospitalidade. Sabiam como receber as pessoas em sua casa e tinham prazer nisso. Não é surpresa nenhuma que essas mulheres queriam ser as melhores anfitriãs possíveis. Afinal, quem de nós não faria o seu melhor se tivesse Jesus como seu hóspede? Acontece que cada uma tinha seu jeito de receber as pessoas, e vamos conhecer melhor quais as suas motivações.

 

Conheça Marta

 

Foi Marta que ofereceu sua casa para receber Jesus. Ao demonstrar sua hospitalidade, Marta “agitava-se um lado para outro, ocupada com muitos serviços”. Posso imaginá-la cuidando da arrumação e a limpeza da casa, preparando as refeições, perguntando de tempos em tempos se Jesus gostaria de mais alguma coisa. Acredito que Marta tenha crescido com os ensinamentos da ‘mulher de Provérbios 31’ e levava cada ponto a sério. Ela queria mostrar para Jesus que era uma mulher virtuosa, capaz de manter a casa em ordem, sempre ocupada e assertiva.

 

Conheça Maria

 

Quando o Mestre Jesus chegou em sua casa, Maria “ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a Sua palavra”. Ela tinha um grande desejo de ouvir suas palavras de vida eterna e abundante. Sentia-se maravilhada por Sua autoridade com a Escrituras, mas também por Seu jeito manso e humilde. Aquela era uma oportunidade única para receber as boas novas que seu povo esperava por gerações. Talvez ela quisesse ajudar Marta com alguma coisa, mas ela precisava ouvir ‘só mais uma parábola’, ‘só mais um sermão’, e sem perceber estava aos pés de Jesus por horas seguidas.

 

Ponto de Conflito 

 

Em algum momento, Marta se viu sobrecarregada com tantas tarefas, enquanto sua irmã não movia um músculo para ajuda-la. Por isso ela se queixou com Jesus:  “Senhor, não te importas que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?” na esperança de que obter alguma ajuda. Foi nesse momento em que Jesus respondeu que Maria ‘escolheu a melhor parte’.

 

Só o Serviço Importa?

 

Fico muito chateada com o modo que Marta é vista como a ‘errada’ da história. Ainda mais por que, no cotidiano da igreja, nós somos pressionados a sermos Marta. Ouvimos o tempo todo que ‘grande é a seara, e poucos os ceifeiros’, e o quanto nossa comunidade cristã precisa de voluntários. Não acho que essas afirmações sejam mentirosas, muito pelo contrário. O problema é quando o serviço se torna mero ativismo, e em vez de ser uma forma de contribuir com o reino, vira um compasso moral.

 

Por via de regra, ser ativo em algum ministério é sinal de que você é comprometido com a igreja. Do contrário, você é só mais um ‘crente domingueiro’, um ‘esquenta-bancos’ que apenas consome e nada produz. É claro que existem vários motivos que podem influenciar o quanto alguém atua na igreja, mas são tratados de uma forma muito simplista e superficial. Até que se prove o contrário, você não faz a obra por que não quer.  Se você já se envolveu num ministério e teve que se afastar, sabe do que estou falando.

 

A pior parte desse ativismo é que ele tem consequências difíceis de abordar. Muitas vezes deixamos de encarar certos problemas em nossa vida espiritual por que estamos muito ocupados sendo úteis. Desde que nossos líderes estejam satisfeitos com nosso desempenho, e que estejamos na igreja toda semana, é fácil fingir que está tudo bem. Até que o seu corpo começa a refletir a fraqueza do seu espírito. Vem a fadiga crônica, a ansiedade e a depressão – justamente temas que ainda são tabu na comunidade cristã.

 

Relacionamento > Serviço

 

Quando Jesus falou com Marta, não era Sua intenção que ela se sentisse menos que Maria. Tenho certeza que Jesus enxergava amor e dedicação genuínos em cada ato de serviço de Marta, afinal Ele mesmo se fez servo por nós. Mas Ele também queria que Marta entendesse que servir a Deus vai muito além do trabalho braçal e a exaustão física. Marta precisava entender que, mais que o seu serviço, Jesus queria tempo de qualidade com ela. Ela precisava ouvir palavras de vida e salvação tanto quanto sua irmã.

 

Assim como Marta, todos nós precisamos dessa melhor parte: sentar aos pés de Jesus e alimentar nossa alma com Suas palavras. Em todo o Novo Testamento, o ensino e o discipulado vêm antes do serviço. O próprio Jesus aprendeu a lei dos profetas antes de ser tornar um mestre. Os discípulos passaram três anos com Jesus antes de propagarem o Evangelho “desde Judeia e Samaria, até os confins da terra”. Está claro que, antes de servimos a Deus, precisamos ter intimidade com Ele primeiro. Como poderemos fazer a vontade de Deus sem conhecer Sua vontade? Como falaremos de Alguém que não conhecemos de fato?

 

Deus valoriza aqueles que são atentos para ouvir e aqueles que são proativos para a fazer. Mas acima de tudo, precisamos construir um relacionamento sólido com o nosso Mestre. Só assim poderemos desempenhar as nossas melhores versões – quer sejamos Maria, ou sejamos Marta.

 

Agora é a sua vez!

Ao longo da sua caminhada, você já se sentiu sobrecarregada pelas responsabilidades do seu ministério?

Já se sentiu pressionada a priorizar o serviço da Igreja e deixar todo o resto de lado?

De que forma podemos incentivar as pessoas a trabalharem na obra do Reino e crescerem espiritualmente ao mesmo tempo?

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