Entre Razões e Emoções

Todos os dias somos expostos a milhares de imagens. Algumas chamam mais a atenção do que as outras. E tem aquelas imagens que, de algum modo, falam com o nosso interior do jeito que muitos textos não conseguem. Por isso que, quando achei essa montagem vintage no Facebook, continuei refletindo sobre seu significado por um bom tempo. Entendi, por fim, que essa montagem é um retrato muito fiel de um conflito que enfrento todos os dias.

Dentro de mim existe uma corda bamba que preciso atravessar. O tempo todo estou tentando não perder o equilíbrio.

Meu coração e meu cérebro disputam entre si quem merece mais atenção. Dificilmente concordam em alguma coisa, não querem admitir que a outra parte está certa. Preciso sempre lembrá-los que, sem cooperação mútua, cairemos no vazio e sabe-se lá o que nos espera lá embaixo.

É engraçado quando um amigo próximo diz que sou uma pessoa racional, centrada, lógica. Não é isso que encontro quando olho pra dentro de mim. Encontrar lógica nos meus pensamentos desordenados, nas minhas emoções que parecem não ter nome, essa é uma tarefa ingrata. Já faz vinte e seis anos que tento compreender meu universo interior e não tive sucesso.

A verdade quando estou muito triste, ou muito feliz, eu choro. Quando tive minha primeira desilusão amorosa, senti dores em lugares da alma que eu nem sabia que podiam doer. Ao ouvir da minha amiga que, depois de 4 anos anos, ela conseguiu passar pra faculdade, achei que meu coração explodiria de alegria. Se estou com raiva, meus olhos fervem como se estivessem pegando fogo. Meu corpo sempre parece muito limitado para o tamanho das minhas emoções.

O truque é esconder minha bagunça. Trabalho duro para convencer todo mundo de que sou uma adulta funcional que sabe o que está fazendo. Quando se passa metade da vida se achando inadequada, você logo aprende a imitar para se enturmar. E quando se passa a outra metade lutando contra o sofrimento das mentiras e decepções, você aprende ler através dos sorrisos falsos e as palavras não ditas.

Sou mais do que as minhas emoções, ou a minha razão. Eu sou apenas humana, e ainda estou aprendendo a atravessar a bendita corda bamba.

18 Comments

  1. Kelly Mathies

    Fevereiro 10, 2018 at 10:42

    Seguir o coração ou a cabeça é um trabalho árduo e que merece cuidado ao extremo. Às vezes, somos tentados ao coração, mas perdemos totalmente a razão. Por outras vezes, ficamos contidos na razão, mas perdemos a graça das emoções. Acho que esse dilema nunca vai ter, de fato, um fim, mas o equilíbrio é essencial para a saúde mental ♥ Adorei teu texto.

  2. Maria Carolina

    Fevereiro 10, 2018 at 13:58

    Me identifico, nesse conflito louco, vamos vivendo dia após dia. E eu também me identifico com as imagens mais do que com os textos

  3. Mulher Virtuosa By Vany

    Fevereiro 10, 2018 at 17:06

    Eu me identifico com a imagem e seu texto. Também estou na corda bamba aprendendo a atravessá-la!

  4. Hanna Carolina Lins de Paiva

    Fevereiro 11, 2018 at 20:01

    Acho que todo mundo acaba vivendo na corda bamba, mas o que faz a diferença é como lidamos com ela… Estou aprendendo a atravessá-la também, mas isso é algo que leva tempo e requer paciência…
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

  5. Erica Oliveira

    Fevereiro 12, 2018 at 15:07

    Vc sabe que eu me identifiquei com várias partes do seu texto, as pessoas me veem extremamente lógica e centrada, mas sou um poço de emoções os quais aprendi a “esconder” com o tempo. Não sei se esconder é a melhor palavra, acho que maquiar cairia melhor rsrs Com o tempo me acostumei a isso que virou algo natural rsrs Mas ainda sou um poço de emoções rs

  6. Vickawaii

    Fevereiro 12, 2018 at 17:13

    Que bacana o texto! Gostei muito da sua reflexão e me identifico às vezes com a imagem. Dentre as pessoas que são próximas, tem uma que usa muito a razão e outra muito a emoção…E vejo que o ideal é sempre um equilíbrio.

  7. Ana Sbardelatti

    Fevereiro 12, 2018 at 18:16

    Super me identifiquei com teu texto. Hoje penso que viver é isso: aceitar as emoções e aprender a conviver com elas… beijos!

  8. Erika Monteiro

    Fevereiro 12, 2018 at 21:52

    Oi, tudo bem? Que texto mais intenso. Realmente nós humanos vivemos entre sentimentos e momentos de razão. Não há como focar apenas num lado, é importante ter equilíbrio, é importante saber agir de acordo com cada situação. As vezes somos sentimentais demais, em outros nos falta sensibilidade, mas é algo que vamos aprendendo com o tempo. Isso nos torna mais maduros. Beijos, Érika =^.^=

  9. Mariani Tavares

    Fevereiro 12, 2018 at 22:24

    Me identidiquei muito com o seu texto e suas reflexões, ainda tem muito pela frente, principalmente em ser “uma adulta funcional” haha, nesse quesito ainda me sinto muito perdida, quem sabe um dia eu aprendo como é ser funcional nessa vida >-<

  10. Kimberly Camfield

    Fevereiro 12, 2018 at 22:26

    Eu acho muito engraçado analisar a forma como nos enxergamos e a forma como os outros nos enxergam. Quem me conhece a primeira vista, ou me conhece há mais tempo mas não tem muito contato comigo, acha que eu sou uma pessoa forte, racional, fria (sim já escutei isso! Mas não foi como insulto) e séria (!) Talvez seja meu ascendente em capricórnio haha Ou talvez eu passe mesmo essa imagem para as pessoas sem querer. Mas a verdade é que me considero internamente desorganizada e errada em muitos aspectos. E quem me conhece mesmo, convive comigo, sabe que na verdade eu sou o oposto de fria e séria. Na verdade sou bem abobada, brincalhona e até infantil em muitos aspectos. Por dentro sou canceriana dos pés à cabeça. Sensível, chorona, tempestade em copo d’água e muito emotiva. Ainda lembro que no início do meu intercâmbio a filha da minha madrasta, que também tava estudando fora, pediu se eu sentia saudade da minha família e eu disse que sim. E ela disse “sério? Mas tu parece tão forte” E eu ri da situação. Talvez ela tivesse essa impressão de que “eu não preciso de ninguém” porque apesar de sentir saudade, ou gostar muito de alguém, eu não demonstro isso sempre. Por exemplo, acho ela falava com a família dela todos os dias no intercâmbio, porque se acostumou desde sempre a ter toda a família por parte de mãe perto, mesmo com os pais separados. E eu acho muito legal esse contato e apego dela com a família. Eu cresci com pais separados, já morei em três cidades, até os nove anos morei com minha vó e só depois disso fui morar com a minha mãe, passei a infância viajando porque cada parte da minha família morava em cidades diferentes e talvez desde essa época meio que me acostumei a não ter mãe, pai e avós sempre por perto e desenvolvi uma certa independência. Não sentia a necessidade de ligar todos os dias do intercâmbio pra dizer que tava com saudade e jogar conversa fora, mas a minha família sabia o quanto senti saudade, apesar de não demonstrar muito. Porque a verdade é que apesar de sentir as coisas em excesso, na maioria das vezes não deixo transparecer. E constantemente também tenho essa luta entre razão e emoção.
    Ah, e adorei seu texto.

    1. Kimberly Camfield

      Fevereiro 12, 2018 at 22:26

      senhor, vi agora que meu comentário ficou quilométrico haha Desculpa :p

  11. Gislaine

    Fevereiro 13, 2018 at 17:13

    Eu entendo perfeitamente o que você e a Kim (adoro comentários quilométricos!) querem dizer. Essa diferença entre o que nós e outras pessoas pensamos a respeito de nós mesmos é muito interessante: porque ao mesmo tempo que ele não tem contato com nossas intimidades da alma, nós costumamos ser um pouco cruéis ao nos analisarmos. Também já me disseram que sou racional e fria – e olha que tanto meu sol quanto meu ascendente são em sagitário, eu sou a pessoa mais besta que se tem pra conhecer!
    Literalize-se

  12. Lana

    Fevereiro 14, 2018 at 10:39

    Me identifiquei bastante com seu texto, principalmente, nesta frase: Sou mais do que as minhas emoções, ou a minha razão. Eu sou apenas humana, e ainda estou aprendendo a atravessar a bendita corda bamba.
    Na verdade sou muito EMOÇÃO e isso faz com que eu seja complicada e acho que estou sempre em busca do meu equilíbrio, embora seja difícil viver equilibrada nos dias de hoje. http://www.blogsendoutil.com

  13. Aline Callai

    Fevereiro 14, 2018 at 11:27

    Que texto lindo e cheio de sentimentos! Eu confesso que, depois de tantos tombos e decepções da vida, sou bem mais racional hoje. Não que isso seja uma coisa boa, mas evita muitas coisas ruins. Só que também evita coisas boas. O melhor é achar um equilibrio entre os dois mesmo, o que não é tarefa facil, né?
    Beijos,
    http://www.nomundodaluablog.com/

  14. Alécia Magalhães

    Fevereiro 14, 2018 at 20:54

    Texto bem feito…é um equilíbrio difícil, mas quando alcançado é muito bom
    Gostei, muito legal.
    Blog ArroJada Mix

  15. Talyta Xavier

    Fevereiro 14, 2018 at 22:28

    Oi, tudo bem?
    Amei sua reflexão
    Alcançar o equilíbrio é muito difícil, muitas vezes quando a gente pensa que está agindo racionalmente na verdade estamos agindo emocionante, gostei bastante dessa foto também. Parabéns pelo post

    Te espero em meu blog!
    Beijinhos
    Blog | Facebook | Instagram

  16. Luciana Carvalho

    Fevereiro 16, 2018 at 19:27

    Adorei seu post. Bem reflexivo. Acredito que todos nós tem seus momentos em que a razão ou a emoção predominam. Ficam reclamante nessa corda bamba da vida.

  17. Lulu on the sky

    Fevereiro 23, 2018 at 16:53

    Penso que é fácil julgar as pessoas, mas o difícil é estar na pele da mesma para saber quais as reais reações diante de tantos fatos.
    big beijos

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